Jornalistas, escritores, psicanalistas e professores escreveram suas opiniões sobre a cobertura que a mídia fez do caso do seqüestro em Santo André. Em artigo publicado no site do Observatório da Imprensa, Venício A. de Lima, propõe que haja um programa mensal voltado a discutir a ação da mídia em casos como o seqüestro em Santo André e questiona se o papel da mídia deve ser investigado e discutido da mesma forma que a imprensa costumeiramente estimula a sociedade a questionar e cobrar que seja investigada a ação da polícia nesses e em outros casos.Também na página do Observatório da Imprensa na internet, o escritor e jornalista Uraniano Mota, chama a atenção de como a mídia consegue prolongar um assunto que dá audiência com a ampla cobertura da doação dos órgãos da garota Eloá Cristina Pimentel entrevistando parentes das pessoas que receberam os órgãos. Na visão do escritor, a cobertura foi trabalhada de forma a sinalizar que mesmo uma tragédia pode ter um final feliz, salvando a vida de quem precisa de um novo órgão. O título de seu artigo é bem apropriado: Quando a notícia vira telenovela.
Na Folha de S. Paulo, o psicanalista e professor da PUC-SP, Renato Mezan, discuti o assunto e traça uma explicação da personalidade do seqüestrador, Lindemberg Alves, e como a maciça cobertura da imprensa e o fato de alguns veículos ter dado oportunidade para ele falar em rede nacional pode ter potencializado o lado doentio de sua mente.
No texto, o autor diz: “a total impotência [de Lindemberg em conseguir se separar de Eloá, de luidar com a situação], impossível de ser admitida porque significaria a ruína de uma auto-imagem já muito pouco sólida, é negada pela megalomania: ‘Eu sou o cara’, ‘sou o príncipe do gueto, o cara que manda no local'". A espetacularização do seu ato tresloucado, a evidência de que (como disse o coronel) havia conseguido mobilizar todo aquele aparato (e a atenção de milhões de telespectadores), teve o efeito de reforçar sua crença nessas fantasias grandiosas”, diz o psicanalista.
O site adnews.com propôs uma enquete para que as pessoas opinem sobre a cobertura da mída no caso do seqüestro. Para votar é só acessar o link: http://www.adnews.com.br/midia.php?id=78225
A leitura do livro "A sociedade do espetáculo", de Guy Debord, que já citei no outro post, também nos faz compreender melhor os motivos que nortearam a cobertura sem parâmetros desse caso e como a cobertura de algumas notícias viram espetáculos. Para encerrar esse post, deixo aqui uma frase de Debord, que, na minha opinião, resume o assunto: "o espetáculo significa que ele transpôs o limiar de sua própria abundância".
Nenhum comentário:
Postar um comentário